O Secretário de Cultura da Paraíba, Chico César, disse recentemente que as verbas públicas não serão destinadas ao pagamento de cachês de artistas de apelo comercial. (Leia-se forró eletrônico ou de "plástico" e das duplas sertanejas).
Para Gilvan Freire, analista político, a frase foi um "suicídio".
Confira o artigo:
CHICO CÉSAR TENTA O SUICÍDIO
(Gilvan Freire)
Negro, feio, baixinho, pobre e nascido no interior do Nordeste
brasileiro, Chico César venceu, ao nascer, a primeira barreira contra a vida
– a mortalidade infantil que matava mais de 60 crianças em 1000 antes que
completasse um ano de idade. E as que morriam (e ainda morrem) são todas dessa valente raça de Chico, os pobres.
De negro Chico César não haveria de morrer, porque num lugar
qualquer do planeta os negros terão de mostrar a qualquer custo, até como
vítimas das mais sangrentas adversidades, discriminações odientas e barbáries
animalescas, que a pele não pode ser elemento da distinção entre os filhos do
mesmo Deus, que é Pai de todos.
Há certos instantes da humanidade em que negros são levados a
exibir um traço de superioridade racial estonteador, o que acontece na história
contemporânea nos exemplos de Obama, Luther King e Mandela. A rigor, isso não é desigualdade racial invertida – embora pareça, é pura desigualdade social reversa, dessas em que a sociedade colhe frutos melhores do que a semente podre que plantou.
De feio Chico César não morreu. Se Deus discriminasse os feios, Chico César com um dia de vida não teria ultrapassado a barreira da feiúra precoce.
E Chico em sua trajetória de vida ampliou esses atributos. Ficou ainda mais feio
usando um look bastante agravador.
O padrão de beleza varia com os tempos. Gordos e magros, morenos
e claros, pretos e brancos e até mesmo pessoas pálidas e homens carecas chegam a ser os preferidos, em certas épocas. Enéias (eu sou Eneeéias!) foi figura feia e interessante na televisão, recentemente.
A Gioconda, obra prima de Leonardo da Vinci (1452/1519), mulher feia
de corpo disforme, foi símbolo de beleza de seu tempo. Raul Cortez já foi escolhido sexy simbol. É um disparate. Chico César tem a beleza de seu talento e raça. E quanto mais se esforça para ficar mais feio, mais interessante fica, porque ele é um conjunto de dons excepcionais onde a beleza está no todo, e não nas partes. Ele próprio criou sua caricatura exótica como traço de sua identidade cultural diferenciada. É sábio.
De baixinho e pobre Chico não morre, já que de feio, que é pior do que ser baixo, não morreu. O talento é um recurso natural que faz de um homem baixo
um homem grande. Nesse aspecto, Chico é enorme.
De pobre... bem, ser pobre é estar desafiado a correr de estômago
vazio. A vida é uma corrida de obstáculos que se vence pelas pernas, pela ousadia, pela obstinação. As feras vencem quando estão famintas.
Chico César vitoriou faminto. Saiu do ventre do Nordeste e da Mama África ancestral remota e se fez ouvir no mundo inteiro. Venceu todos os preconceitos que poderiam lhe vencer.
Agora, contudo, discriminando a diversidade cultural – logo ele, um
músico da pluralidade cultural e da diversidade humana –, Chico César atenta contra a sua biografia. Comete crime contra sua própria identidade. Uma tentativa de suicídio figurado – Chico César atira em Chico César.
Mas ele de tão resistente e bravo sobreviveu, embora gravemente
ferido. E só não consumou o delito porque faltou-lhe o propósito, a intenção de se matar.
Neste blog compartilho páginas de minha vida. Exponho minhas experiências, aprendizados, interesses, preferências, críticas, opiniões e também o meu dia-a-dia. Ainda postarei a minha penosa aventura em busca do corpo perdido. Sigam-me os bons!!
terça-feira, 19 de abril de 2011
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Cardápio do fim de semana (4)
Este fim de semana resolvi pôr a mão na massa e preparar duas receitas que faz tempo que desejo fazer. Como tinha um tempinho no sábado, fiz as duas: Mosaico de Gelatina e Quiche Lorraine (receita clássica francesa). Não fiz o Lorraine, que leva queijo gruyere e bacon. Substituí estes dois ingredientes por queijo provolone e a linguiça portuguesa. Também ficou gostoso.
RECEITAS:
QUICHE LORRAINE
250 g de farinha de trigo
1. Numa tigela, adicione todos os ingredientes e misture bem com as mãos até obter uma massa homogênea. Modele uma bola com a massa.
1 xícara (chá) de leite
1. Preaqueça o forno a 180°C (temperatura média).
Quiche
Mosaico de gelatina
RECEITAS:
QUICHE LORRAINE
Para a massa:
Ingredientes
250 g de farinha de trigo
125 g de manteiga
1 ovo
1 colher (chá) de água
sal a gosto
manteiga e farinha de trigo para untar e enfarinhar
Modo de Preparo
1. Numa tigela, adicione todos os ingredientes e misture bem com as mãos até obter uma massa homogênea. Modele uma bola com a massa.
2. Embrulhe a massa em filme e leve à geladeira por 10 minutos.
3. Numa superfície lisa e enfarinhada, abra a massa com o auxílio de um rolo.
4. Em seguida, unte e enfarinhe uma fôrma de 20 cm de diâmetro. Forre o fundo e as laterais da fôrma com a massa.
Para o recheio:
Ingredientes
1 xícara (chá) de leite
1 xícara (chá) de creme de leite fresco
4 ovos
80 g de bacon em cubinhos (usei linguiça portuguesa)
80 g de queijo gruyère (usei provolone)
sal e pimenta-do-reino a gosto
Modo de Preparo
1. Preaqueça o forno a 180°C (temperatura média).
2. Numa tigela, junte os ovos, o leite e o creme de leite e bata com um fouet (batedor de arame) até ficar homogêneo.
3. Tempere com sal e pimenta a gosto.
4. Numa panela, de preferência antiaderente, leve o bacon em cubinhos ao fogo médio por 3 minutos.
5. Retire do fogo, escorra a gordura e reserve.
6. Rale o queijo gruyère em ralo grosso. Reserve.
7. Cubra a massa com o queijo gruyère ralado, o bacon e o creme de ovos, separadamente, seguindo esta ordem.
8. Leve ao forno para assar por 30 minutos, ou até que a superfície fique dourada.
9. Retire do forno e sirva a seguir.
MOSAICO DE GELATINA
- 4 caixas de gelatinas nos sabores abacaxi, framboesa, limão, amora.
- 1 envelope de gelatina sem sabor
- 1 vidro de 200ml de leite de coco
- 1 lata de leite condensado
- 1 lata de creme de leite
Preparo: Faça as gelatinas coloridas separadamente e leve para gelar por 4 horas. No liquidificador misture o leite condensado, leite de coco, creme de leite e a gelatina sem sabor, já dissolvida como manda a embalagem. Pincele uma forma com óleo de canola e ponha o creme branco. À parte, corte as gelatinas coloridas e vá colocando aos pouco sobre o creme. Leve para gelar por mais 3 horas. Desenforme e sirva.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Paula Fernandes
Música Sertaneja. Nunca fui fã deste estilo musical, mas ele tem o meu respeito por ser uma vertente da genuína música caipira brasileira. O que me incomoda é aquele chororô demasiado interpretado por uma voz fina masculina, muito enjoada. Recentemente bati palmas para uma dupla muito boa do sertanejo romântico: Victor e Léo. Também na linha do romantismo e com uma voz marcante está a cantora Paula Fernandes. Seu DVD ao vivo é muito bom. Recomendo. Acho que ainda vamos ouvir falar muito nesta artista.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Cardápio do fim de semana (3)
Cupcake de chocolate da PAVLOVA
Cada final de semana que passo, mesmo sabendo que estou "me comportando" durante a semana, às vezes bate a culpa, quando o cardápio-weekend é, digamos, uma bomba calórica e nada conveniente. A começar pela sexta-feira, onde, em Recife, comi um cupcake de chocolate da doceria PAVLOVA. O sábado foi tranquilo, mas no domingo entrei de boca na "picanha com alho e shoyu" acompanhada com "batatinhas-aperitivo ao molho de tomate seco". Para beber, Smirnoff Ice (só tomei uma). Isto é uma vergonha...
sábado, 9 de abril de 2011
Minha jangada vai sair pro mar...
Conta a tradição que, enquanto o jangadeiro está no mar, sua mulher o espera bordando e fazendo renda. Por isso, Iguape (em Aquiraz) um dos principais portos jangadeiros do Ceará, reúne diariamente no Centro de Rendeiras, os bordados e rendas mais famosos do Estado. Visitá-lo seria uma homenagem a dois dos maiores símbolos da cultura cearense: o pescador e a mulher rendeira. Sua forma de meia enseada o transformou em um porto natural para as jangadas que ainda mantêm o mesmo estilo primitivo de pesca de nossos ancestrais.
Praia do Iguape - Aquiraz- CE
Nascer de sol na praia da Caponga
Prainha
A praia da Caponga é uma vila de pescadores que ainda usam jangadas tradicionais. Tem como cenário um coqueiral que contorna os espelhos d’água e um mar bastante calmo com arrecifes e bancos de areia. É menos movimentada que a vizinha, Morro Branco. A praia oferece uma ampla infra-estrutura de lazer para turistas, com piscinas para adultos e crianças, bar molhado, piscina de biribol, restaurante e quadras poli-esportivas. Está localizada a 72 quilômetros de Fortaleza e, como as outras tantas praias do litoral cearense, encanta pela beleza e pela natureza quase selvagem. A proximidade da capital faz de Caponga uma boa opção para quem quer um pouco mais de sossego sem, no entanto, se isolar da civilização.
Foi neste cenário belo e tranquilo que passei minha Lua de Mel na década de 90. Ainda visitamos Praia Bela, Morro Branco, Prainha, Praia das Fontes, Canoa Quebrada, Fortaleza e ainda passamos pelo Beach Park.
Hotel Village Barra Mar
Procura-se uma amiga
Há amizades que ficam. Há também aquelas que ficam mas somem do nosso convívio.Uma amiga inseparável do tempo da Universidade chamada Telma Maria Oliveira seguiu caminhos os quais desconheço, mas gostaria muito de reencontrá-la. A última vez que a vi não lembro bem o ano, mas no pouco tempo que conversamos, ela disse que estava de malas prontas pra viajar para os EUA e que quando voltasse iríamos nos encontrar. Depois desse episódio nunca mais tive notícia dessa minha amiga cheia de gracinhas, com quem eu dava boas gargalhadas.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
O cavaleiro que virou Presidente
João Figueiredo foi um político e militar brasileiro, tendo sido o 30° Presidente do Brasil (1979 a 1985). Fui o último presidente militar. Nasceu no Rio de Janeiro. Era apaixonado por cavalos, tendo sido Comandante do 1º Regimento de Cavalaria de Guardas de 1967 a 1969.
Foi eleito Presidente do Brasil em 1979, pelo Colégio Eleitoral com 61,1% dos votos. Seu mandato foi marcado pela continuação da abertura política iniciada no Governo Geisel. Em seu discurso de posse pronunciou a famosa frase em que dizia que “faria deste país uma Democracia”. Contudo, durante o seu governo ocorreram vários atentados terroristas, atribuídos a setores da direita e militares da linha-dura. Figueiredo atribuía os atentados aos “bolsões radicais porém sinceros”, ou seja, militares linha-dura que não queriam que a abertura política de Figueiredo fosse em frente, por medo de revanchismo, caso a oposição chegasse ao poder.
Para lhe suceder na presidência, escolheu o paulista Paulo Maluf. Do outro lado o mineiro Tancredo Neves apresentou-se como candidato. Em 15 de Janeiro de 1985, a última eleição indireta do Brasil deu 480 votos para Tancredo Neves e 180 para Paulo Maluf. O vitorioso porém não chegou a governar, pois foi internado na véspera da posse devido a um problema de saúde que o obrigou a se submeter a sete cirurgias, vindo a falecer em 21 de abril do mesmo ano.
Foi sucedido na presidência por José Sarney (seu antigo desafeto partidário), vice de Tancredo Neves, eleito indiretamente pelo Congresso Nacional. Figueiredo não quis entregar a faixa presidencial a Sarney na cerimônia de posse, pois o considerava um “impostor”, vice de um presidente que nunca havia assumido.
Depois de seu governo, afastou-se definitivamente da vida política. Ficou célebre a sua "declaração de despedida", dada ao jornalista Alexandre Garcia para a extinta TV Manchete: "Bom, o povo, o povão que poderá me escutar, será talvez os 70% de brasileiros que estão apoiando o Tancredo. Então desejo que eles tenham razão, que o doutor Tancredo consiga fazer um bom governo para eles. E que me esqueçam".
O ex-presidente faleceu no Rio de Janeiro, em 24 de dezembro de 1999 com insuficiências renal e cardíaca.
João Figueiredo e Ronald Reagan
Durante e depois de seu mandato, João Figueiredo ficou conhecido pela extrema franqueza das suas declarações. Eis algumas:
- Sobre a abertura política: "Quem não quiser que abra, eu prendo e arrebento!"
- Sobre o exercício do poder: "Prefiro cheiro de cavalo do que cheiro de povo".
- Sobre a realidade econômica do país: "Sei que o Brasil é um país essencialmente agrícola. Viram, não sou tão ignorante quanto dizem".
- Sobre as peculiaridades do Rio Grande do Sul: "Durante muito tempo o gaúcho foi gigolô de vaca".
- Em resposta a um menino que perguntou o que faria se recebesse salário mínimo: "A única solução é dar um tiro no coco".
- Em resposta aos estudantes que o insultavam durante visita a Florianópolis, em Santa Catarina: "Minha mãe não está em pauta".
- Sobre os rumores de um golpe contra Tancredo Neves: "O que sei é que no dia da posse vou embora de Brasília levando apenas minhas mulheres". Diante do espanto, a primeira-dama Dulce Figueiredo esclareceu: "É assim que ele se refere aos cavalos".
- Em resposta ao jornalista André Luiz Azevedo, quando perguntado se o Ato Institucional nº 5(AI-5) faria aniversário: "AI-5? Quem é esse menino?".
- Em resposta à jornalista Leila Cordeiro, quando perguntado se seria candidato ao governo do Rio de Janeiro: "Tenho juízo, não sou maluco".
- Sobre a militância política da classe artística: "Uma coisa que nunca entendi é porque todo artista, como esse tal de Caetano Veloso por exemplo, tem de ser dessa tal de esquerda".
Durante uma de suas visitas ao Nordeste, o ex-presidente esteve na Paraíba, em julho de 1980. Foi recebido no aeroporto com uma solenidade promovida pela Sociedade Hípica Paraibana. Nesta época eu era praticante do Hipismo e era a única amazona mirim que treinava na Hípica, em meio a 9 garotos. Por este motivo fui escolhida para recepcioná-lo e passar para as suas mãos o título de “Sócio Honorário da Sociedade Hípica Paraibana”. Eu tinha 14 anos e uma grande responsabilidade. Fiquei impressionada com o carinho e atenção com que o presidente tratou os nossos cavalos que lá se encontravam, passando por todos, como se cumprimentasse cada um, numa revista descontraída. Levei um presente particular e lhe entreguei um chapéu de couro, uma lembrança bem paraibana. Em agradecimento, dias depois recebi uma atenção especial do presidente:
As fotos dos fatos:
O presidente recebendo o título ao lado do então governador Tarcísio Burity e outras autoridades.
Do lado esquerdo da foto, segurando uma maleta, o brilhante jornalista Alexandre Garcia,
Do lado esquerdo da foto, segurando uma maleta, o brilhante jornalista Alexandre Garcia,
que na época era repórter da presidência
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